Valeska Soares passa tempo 19.09.2009 | 24.10.2009
A Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar a exposição passa tempo, de Valeska Soares, no Galpão. A artista mostra esculturas e instalações inéditas que têm como tema central a relação entre memória, afeto e percepção do tempo.
A obra Vertigo é formada por dezenas de cake stands - pedestais de doces - de vidro, porcelana, espelho e prata, que se equilibram uns sobre os outros e são agrupados por afinidade de cores e materiais ou mesmo por oposição de estilos. Colunas que atingem até 1,45 m de altura dispostas diretamente no chão, aludem às “colunas infinitas” de Brancusi. Como estruturas arquitetônicas, Soares transforma os cake stands em “torres” que parecem poder desmoronar a qualquer momento. O espectador se vê caminhando por um campo minado e experimenta uma sensação de perigo e vertigem.
O conceito de fragilidade também está presente na colagem da série Sugar Blues, na qual Soares utiliza embalagens dos doces consumidos por ela e seus amigos no dia a dia. O exagerado consumo pode ser visto como uma forma de matar o tempo. Com contornos geométricos, a colagem tridimensional de verve construtivista fica pendurada na parede. A artista se apropria destes objetos “reinventando suas histórias”.
Em Horizontes, dezenas de caixas de madeira - de charuto, de maquiagem, de costura e colecionadas por Soares ao longo de anos - são penduradas na altura dos olhos, formando uma grande linha do horizonte de doze metros de comprimento. A artista explora a carga semântica das caixas como signo de memória e tempo. As caixinhas marchetadas têm típicas paisagens do Brasil, um coqueiro na praia ou uma araucária na montanha. Estes desenhos se unem em pontos chave: uma montanha de uma caixa liga-se ao lago de outra, um rio deságua no mar da outra caixa, formando uma única imagem.
A instalação Entanglement, formada por duas cadeiras de vidro vazias unidas por vários banquinhos de descanso de pé (que datam de 1800 a 1980) constrói uma colorida colagem, uma trama de texturas e histórias. A obra manifesta de forma sublime a idéia da ausência, da passagem inexorável do tempo, sendo um emaranhado de memória e de vida. Entanglement confirma que Soares se apropria da história que cada objeto carrega, mais do que do objeto em si.
A artista reside em Nova York desde 1992. Participou das Bienais de São Paulo (2008), de Sharjah (2009), de Istambul e de Taipei (2006), além da 51ª Bienal de Veneza (2005). Em outubro de 2009, inaugura um pavilhão individual no Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho, no qual poderá ser vista a obra Follies, anteriormente exibida na Bienal de Veneza.
Fortes Vilaça is pleased to present the exhibition passa tempo [killing time], by Valeska Soares, at the Galpão, featuring new sculptures and installations that deal with the relation between memory, feeling, and the perception of time.
The artwork Vertigo is made up of dozens of cake stands made of glass, porcelain, mirror and silver, balanced atop one another and grouped according to affinities of color and material, or by opposition of style. Columns with heights up to 1.45 meters arranged directly on the floor allude to Brancusi’s infinite columns. Like architectural structures, the cake stands are transformed by Soares into “towers” that seem ready to crumble at any moment. Viewers feel as though they were walking through a minefield, experiencing a sensation of danger and vertigo.
The concept of fragility is also present in the collage of the series Sugar Blues, in which Soares uses wrappers from candy she and her friends have eaten in daily life. Exaggerated consumption can be seen as a kind of pastime. With geometric outlines, the three-dimensional collage with a constructivist verve is hung on the wall. The artist appropriates these objects, “reinventing their histories.”
In Horizontes, dozens of wooden boxes – cigar boxes and boxes for makeup or sewing supplies, collected by Soares over the years – form a 12-meter-long horizon line at eye level on the wall. The artist explores the semantic content of the boxes as a sign of memory and time. The little inlaid boxes present typical Brazilian scenes like a coconut tree on a beach or an araucaria pine on a mountain. The drawings come together at key points: a mountain on one box is linked with a lake on another, a river on one flows into the sea on another, forming a single image.
The installation Entanglement, formed by two empty glass chairs joined by various footstools (dating from 1800 to 1980) constructs a colorful collage, a web of textures and historical elements. As an entanglement of memory and life, this artwork sublimely manifests the idea of absence, of the inexorable passage of time. Entanglement confirms that Valeska Soares appropriates the history that each object bears, more than the object itself.
The artist has resided in New York since 1992. She has participated in various international art biennials: São Paulo (2008), Sharjah (2009), Istanbul and Taipei (2006), as well as the 51st Venice Biennale (2005). In October 2009 her installation Follies, previously shown at the Venice Biennale, will open in an individual pavilion at Inhotim Contemporary Art Center in Brumadinho, Minas Gerais.